24 de nov. de 2009
Sugestão para os trabalhos
Até já!
16 de nov. de 2009
Análise de imagem Aula 7a (compensação)


Três Cores: Azul, 94 ´, 1993, França
A estrutura tripartida serve o importante papel de convidar o espectador a ler ou interpretar cada filme segundo continuidades e temáticas que de outro modo talvez não transaparecessem na trilogia.
Em Azul, Julie, depois da perda súbita do marido e filha, procura libertar-se de todas as memórias que a liguem ao passado. Mais do que isso, tenta constituir-se como livre sem qualquer relação com outros. Sem emprego, sem memórias, sem qualquer tipo de afectos. Este projecto que procura levar a cabo vem a constituir-se impossível; as restantes personagens surgem como que para contrariar o projecto de Julie.
Toda a narrativa é construída segundo o ponto de vista desta personagem, o Azul simboliza aqui todo o luto em que Julie se encontra, mas também a sua procura de libertação.
A liberdade como valor Europeu é mostardo aui do ponto de vista singular, mas este ponto de vista é inundado de questões colectivas como as relações que se estabelecem, o ensurgir de uma ideia de Europa através da composição feita pelo marido de Julie, que a assombra em crescendos de azul.

Em Branco, Karol Karol protagoniza um cidadão Polaco abandonado pela mulher, Francesa, quase femme fatal.
Karol regressa à terra Natal depois de divorciado e enxovalhado pela mulher. Aí reconstrói a sua vida e começa um pequeno império financeiro de modo a constituir a sua vingança contra Veronique.
A vingança surge como forma de igualdade. Depois de constituir fortuna, Karol encena a própria morte, deixando Veronique como herdeira, induzindo a polícia a considerá-la culpada da sua morte.
Ambos encontram-se, finalmente, em pé de igualdade.
O branco inunda a imagem de um modo menos explícito do que em Azul; podemos vê-lo no branco da neve, nas cenas do casamento envolvendo Veronique ou na escultura que Karol guarda quase religiosamente. A igualdade imposta por Karol faz-nos reflectir sobre a situação política da Polónia, por conseguinte sobre este ideal que pretende reger a ideia da União Europeia, nem sempre ou imediatamente confirmado.
Análise de imagem Aula 6a
Ao experimentar uma imagem o nosso cérebro reconhece ou escolhe a forma mais provável de entre outras configurações geométricas, denominando-se este processo de Princípio da Maior Probabilidade.
Uma imagem produz ilusão quando o seu espectador descreve uma percepção que não está de acordo com certo atributo físico do estímulo, denominando-se a algumas dessas imagens como ilusões elementares.
Neste tipo de ilusões atribuimos à imagem parametros da visão espacial e a três dimensões.
A noção de Forma surge aqui como relativamente abstracta, não tendo um equivalente directo com as características físicas nas quais se consegue materializar.
Por exemplo, uma forma pode mudar de tamanho, de lugar, modificar os elementos que a constituem e ainda assim, não se alterar como forma.
A Gestalttheorie formalizou mais claramente esta abordagem, definindo a forma como esquema de relações invariantes entre certos elementos.
Kurt Koffka (1886-1940), Wolfgang Köhler (1887-1967) e Max Werteimer (1880-1943), professores na Universidade de Frankfurt, foram protagonistas desta teoria, A Psicologia da Gestalt ou Psicologia da Boa Forma. Os seus estudos baseavam-se na percepção e na psicofísica, procurando compreender como se davam os fenómenos perceptivos sobretudo com relação a obras de arte.
A forma, do ponto vista da Teoria da Gestalt, apresenta duas características: as sensíveis, inerentes ao objecto, e as formais, que incluem as nossas impressões sobre a matéria, que está impregnada pelos nossos ideais e visões do mundo. A união destas sensações gera a percepção: o conjunto é mais que a soma dos seus elementos.
Uma das mais importantes ideias da Gestalt refere-se à percepção da forma através da relação Forma - Fundo: os elementos constituintes da forma organizam-se na nossa percepção, mas ao mesmo tempo dá-se sempre uma distinção do objecto em relação ao fundo.
As imagens estão numa situação de mediação entre o espectador e a realidade, pertencendo, no geral, ao domínio do simbólico.
Segundo Rudolf Arnheim (1969), a imagem poderá estabelecer três valores de relação com o real:
- Um valor de representação: imagens que representam coisas concretas.
- Um valor de símbolo: imagens que representam coisas abstractas
- Um valor de signo: imagens que figuram um conteúdo cujas características não reflecte visualmente.
Podemos, não exaustivamente estabelecer três principais funções da imagem:
- Simbólica: as imagens servirão primeiramente como símbolos, sobretudo no que toca à religião, onde se considera darem acesso à esfera do sagrado pela manifestação mais ou menos directa de uma presença divina. Esta função sobreviveu largamente à laicização das sociedades ocidentais, para vir a veicular novos valores (a Democracia, o Progresso, a Liberdade).
Eugène Delacroix, Liberdade Guiando o Povo, Óleo sobre tela, 1830, 260 x 325 cm, Museu do Louvre, Paris
- Epistémica: A imagem traz informações (visuais) sobre o mundo, que nos dá a conhecer, sobretudo em certos aspectos não visuais.
- Estética: implicará um sentido de prazer ao relacionar-se com o espectador. Este prazer refere-se a um sentido estético, que recorre a sensações (aisthésis) específicas. Aproxima-se da noção de gosto, amplamente discutida no estudo da estética.
5 de nov. de 2009
A ver de perto
Arranca hoje o Estoril Film Festival
O Estoril Film Festival arranca hoje que com a inauguração da exposição Portraits in Eyes, de Juliette Binoche e a projecção, em antestreia nacional do mais recente filme de Wes Anderson, Fantastic Mr. Fox.
A inauguração de Portraits "In - Eyes" está marcada para as 19h 30 no Centro de Congressos do Estoril e conta com a presença da actriz.. Na Sexta-Feira, dia 6, Juliette Binoche estará às 18 horas no Centro de Congressos do Estoril para autografar o livro Portraits “In-Eyes” sobre a sua exposição e, às 19h30, fará a apresentação do documentário Juliette Binoche Dans les Yeux realizado pela sua irmã Marion Stalens, que também estará presente.
4 de nov. de 2009
A ver de perto
David Claerbout
Festival Temps d'Images 2009
13.11.2009 - 28.02.2010
Piso 2, 2A
DAVID CLAERBOUT
Shadow piece, 2005
Projecção vídeo mono canal, p/b, áudio em estereofonia, 31’ (30’ 19’’)
De Pont, Museum of Contemporary Art, Tilburg
David Claerbout
Os trabalhos de David Claerbout operam conjuntamente fotografia e filme de forma a produzir pela imagem uma experiência física destas categorias e um conhecimento das suas potencialidades. Se a fotografia se fixa num tempo específico, que está ali, documentado e não se apaga em direcção a outro momento; o filme, pelo contrário, evolui continuamente de imagem para imagem. Ao rebater o filme e a fotografia para um meio computorizado, num único e mesmo sinal electrónico – que os codifica em informação emitida como vídeo –, os conceitos de fotografia e de filme subsistem ainda nesse meio digital, como sustenta o artista. A imagem fixa e o registo fílmico em tempo real constituem-se como duas modalidades de tempo que concorrem juntamente. Apesar da condensação dos tempos diferentes por um só meio, é neste vai e vem que David Claerbout realiza o seu trabalho. Entre o presente suspenso da fotografia e o presente continuado do filme revela-se um fascínio pela imagem e os seus tempos, sobretudo através de arquitecturas alusivas a um momento histórico específico. Nostalgia e reivindicação tornam-se pólos centrais destes seus trabalhos iniciais.
Posteriormente através de vídeo-instalações, por vezes interactivas, o súbito acordar da imagem fixa em imagem em movimento, com a presença do espectador, suscita uma experiência física da imagem conferindo-lhe uma dimensão performativa. Ao utilizar um medium sem corpo – o filme –, David Claerbout reclama o diálogo entre o filme e o espectador ambos envolvidos num acontecer que repõe o corpo como processo comunicativo.
A partir de 2004 os seus trabalhos utilizam uma dimensão narrativa para interrogar o lugar do espectador e o papel do cenário enquanto construção do tempo e forma da sua duração. Cenário e paisagem são submetidos à variação da luz enquanto as mesmas narrativas persistem numa repetição infinita entre memória e presença que se vai desvanecendo.
Os trabalhos mais recentes de David Claerbout apresentam-se como amplas séries de fotografias tiradas de múltiplas perspectivas de um só e mesmo instante. A sua apresentação numa sequência define potenciais situações narrativas, por vezes complexas e diversas, mas que paradoxalmente não se constituem como tal, uma vez que todas as imagens se referem a um só instante, não existindo por isso progressão temporal. Por outro lado, a proliferação espacial criada desconstrói a unidade do instante, da sua presença.
De certa forma, é sempre um tempo diferido que os seus trabalhos abordam.
Pedro Lapa
Director do Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado
Análise de imagem Avaliação
3 de nov. de 2009
Análise de imagem Aula 5ª
Podemos distinguir a percepção do movimento real e a percepção do movimento aparente. Este último é de grande importância para a experiência da imagem em movimento, do cinema e da animação. Os efeitos ou fenómenos Phi, estão na base desta experiência.
A experiência visual que temos do mundo, como temos vindo a perceber através do estudo da percepção visual, não é indiferenciada de sujeito para sujeito, ao contrário, é subjectiva e individual. Isto leva-nos a ponderar sobre a existência, não apenas de um processo óptico que nos dá acesso ao mundo visual, mas uma construção desse mundo totalmente subjectiva.
Na percepção de imagens passamos da esfera do visual para a esfera do imaginário, passando do acto de ver para o olhar.
A nossa percepção do mundo físico exterior é selectiva, incompleta e frequentemente errónea.(...) as percepções de um observador diferem das de outro, mesmo quando ambos olham para as mesmas coisas sob as mesmas condições. (Pirenne,1970:10)
É importante o estudo do campo visual, como determinante para o processo de atenção visual que define o modo como cada espectador poderá aceder a vários elementos de uma imagem. O campo visual tem uma equivalência formal com a distribuição das células fotoreceptoras na retina; a região central, correspondente à fóvea, representa a visão central, onde temos acesso a maior definição, onde realmente vemos com definição ( se esticarmos o braço e tentarmos focar o nosso polegar, veremos que a única região realmente focada é a do dedo, estando o restante desfocado). As zonas paracentral periférica, em conjunto com a central, controem a visão de um certo campo visual. Na visualização de imagens o procedimento é o mesmo; a região vista com pormenor é a central.
O estudo da atenção visual na observação de imagens é da maior importância, já que nos ajuda a compreender que esta não se dá apenas num momento, mas numa sucessão de movimentos repetidos, que procuram abarcar toda a imagem, ou, sobretudo, os atractores de atenção, elementos percebidos fora da visão central que determinam a deslocação da visão central para esse elemento.
A experiência de uma imagem dá-se pela combinação de todos os movimentos, pela leitura combinada de todos os atractores de atenção e pela visão geral fornecida pela visão periférica.
Primeiro ajustamos a posição dos nossos olhos de modo a que as imagens do objecto recaiam sobre as duas fóveas; depois, mantemos essa posição durante um breve período, digamos meio segundo; depois os nossos olhos saltam para uma nova posição fixando-se num novo alvo cuja presença, algures no campo visual, se evidenciou quer por uma ligeira deslocação, quer por contraste com o fundo ou por apresentar uma forma interessante. (Hubel,1988:79)
A experiência das imagens é determinada pela Dupla Realidade Perceptiva das Imagens; ao observar uma imagem temos sempre presente a sua existência como objecto pertencente à realidade, mas que representa, na sua superfície, uma realidade a três dimensões. Esta leitura que fazemos do objecto permite-nos alterar o ponto de vista sem que vejamos aí uma deformação do que está representado.







