20 de out. de 2009

Análise de imagem Aula 4ª




LA ROSIÈRE DE PESSAC 79
de Jean Eustache. França, 1979 - 67 min / 16 mm

LA ROSIÈRE DE PESSAC 68
de Jean Eustache. França, 1968 - 65 min / 16 mm

Eustache, realizador não propriamente da nouvelle vague, mas próximo ao movimento realizou estes dois documentários sobre o mesmo tema com um espaçamento de 10 anos entre eles. A atitude do realizador remete para uma ideia de repetição, referindo-se às tradições culturais; os dois documentários servem de metáfora para a própria ideia de cultura. A repetição surge aqui como um modo de olhar uma sociedade em mudança rápida; os valores, as manifestações políticas, o crescimento demográfico. Estas divergências figuram-se também no mundo da arte contemporânea.
Ao pensar sobre o tempo na percepção, facilmente nos apercebemos do modo como o interpretamos ou tomamos como garantido na experiência das imagens que vemos. Não apenas o conteúdo dos dois documentários diverge em termos culturais, e apenas pela repetição do mesmo ritual temos um acesso tão explícito dessa mudança, mas apercebemo-nos na justaposição destes dois filmes, como as qualidades plásticas da imagem fílmica facilmente nos reportam a um tempo. A técnica é aqui também uma marca do tempo.

19 de out. de 2009

Análise de imagem Aula 3ª

Imagem estática que utiliza a estereoscopia como indutora de movimento

O tempo e o espaço surgem como estruturas incondicionais à nossa percepção. Para Kant estas são duas condições a priori que determinam o nosso conhecimento.
Fisiologicamente o tempo inscreve-se na nossa percepção já que a visão é um processo que se dá em sequência. A própria luz, que nos permite ver o mundo em redor, é um fenómeno que decorre no tempo. Neste sentido, os factores temporais dos fenónemos lumínicos influem na nossa percepção visual. A variação temporal dos fenómenos, por exemplo, determina a nossa maior ou menor capacidade de os distinguir, como é o caso da capacidade de separação temporal dos olhos; aquando da emissão de clarões sequenciais de uma frequência superior a 6 a 8 clarões por segundo, o nosso olho é incapaz de os distinguir como singulares e traduz este sinal como contínuo. Ou, no caso de termos de distinguir dois clarões sucessivos, podemos demorar cerca de 60 a 80 milissegundos para o fazer e enumerar qual deles ocorreu primeiro.
Outro factor importante é o do próprio processo perceptivo; este ocorre ao longo do tempo, a estrutura que nos possibilita ver responde aos impulsos lumínicos, o que provoca reacções involuntárias como o são a dilatação da pupila ou os movimentos oculares.
Por exemplo, ao transitar de um ambiente muito iluminado, com alta intensidade lumínica, ou seja de um ambiente onde utilizamos a visão fotópica, para um onde existe baixa intensidade lumínica, ficamos por momentos incapazes de ver. Isto dá-se devido ao tempo de adaptação que o sistema tem que realizar consoante as novas condições; a pupila deverá dilatar-se, os bastonetes devem ser sensibilizados, tudo isto poderá demorar cerca de 40 minutos até façamos uso da visão escotópica em pleno.
A percepção do espaço é também um sistema complexo. Numa primeira instância podemos referir os índices monoculares de profundidade, tais como a textura ou a gradação lumínica. Este índices apresentam correspondentes dinâmicos, ou por outras palavras, toda a tradução monocular tem uma interpretação correspondente aos objectos em movimento. A tradução da profundidade dá-se através da retina, nas àreas de Panum, regiões sensíveis que reconhecem zonas comuns do horóptero, que o córtex visual interpreta, criando uma só imagem final.
A percepção do espaço, em especial da profundidade é resultado da visão estereoscópica, ou seja, da visão com dois olhos, ou binocular.
O que possibilita a nossa percepção final como uma só imagem, a ideia de fluidez da visão, é resultado de um complexo processo interpretativo do córtex visual, a que chamamos de constância perceptiva.

16 de out. de 2009

Análise de Imagem Aula 2ª

Film Still de Un Chien Andalou, de Luis Buñuel, 1929

As imagens são parte de um mundo visual, o qual percepcionamos através do sistema visual. Os olhos são parte constituinte desse sistema, aqueles que, de um modo mais imediato, nos permitem ver.
Tal como percebemos o mundo visível, as imagens estão submetidas ao mesmo processo.
O olho é um globo aproximadamente esférico, com cerca de 2,5 cm de diâmetro.
A luz é convergida, de um modo semelhante ao que se dá na câmara obscura, para a região da retina (a fóvea) onde estão em maior número as células fotoreceptoras (cones e bastonetes). Aí operam-se as transformações químicas que nos possibilitam traduzir o sinal electromagnético da luz em códigos perceptíveis da percepção do espaço, do tempo, da cor, forma, enfim, todos os elementos reconhecíveis do mundo visual.
Os cones e os bastonetes permitem, entre outros mecanismos, a adaptação da visão às quantidades lumínicas. Os cones são maioritariamente utilizados na chamada visão fotópica, podemos dizer visão diurna, cromática, respondendo a maior intensidade lumínica. Naturalmente neste tipo de visão é maior a acuidade visual, já que a pupila se encontra com um menor diâmetro.
Os bastonetes são mais utlizados na visão escotópica, respondendo a menores intensidades lumínicas. Apesar de mais sensíveis à luz não são tão sensíveis aos diferentes comprimentos de onda que compõem a luz, caracterizando-se como uma visão acromática. Devido às baixas intensidades lumínicas a pupila dilata-se, permitindo a entrada de maior quantidade de luz, apresentanto menor acuidade visual.
Assim, o processo inicial que nos permite ver a cores é dado nas operações químicas que ocorrem nos cones e bastonetes.



Análise de imagem Aula 1ª


Pieter Claesz, Still Life with Stoneware Jug, Wine Glass, Herring and Bread, 1642, Boston Museum of Fine Arts, Massachusetts, USA

A análise de imagem tem como foco a imagem visual. Esta remete a uma materialidade, está ligada a uma técnica que lhe dá corpo; neste sentido podemos definir que a imagem visual está imediatamente ligada a um produtor e a um receptor.
A desconfiança ou a apologia da imagem definem desde cedo duas posições antagónicas da cultura ocidental, que vêm determinar posições políticas, culturais, religiosas em relação à imagem. A grande discussão remonta à antiguidade clássica, a Platão e Aristóteles, que
definem a iconoclastia e a iconofilia.
O que é certo é que as imagens provocam em nós as mais diversas sensações, podendo divergir o modo como as percepcionamos consoante o momento da sua percepção. A leitura da imagem não é incondicional em relação à situação histórica, cultural, social, religiosa ou política em que se insere. Em revês, estas condicionantes do sujeito, alteram e definem o modo como a imagem é retida. Assim, a imagem é um objecto cultural, determinado também pela tradição visual.
A pintura de Natureza Morta do século XVII, por exemplo, pode ser interpretada de diferentes formas consoante a tradição visual, a situação cultural e política em que é visionada.

Análise de imagem 09|10


Do latim imago, a imagem remete ao ausente. Imago seria a máscara mortuária utilizada nas celebrações fúnebres romanas.
Desde a fundação da humanidade nos relacionamos com imagens. A contemporaneidade, no entanto, tem vindo a ser cada vez mais invadida por um universo de imagens visuais, que impregnam a vida quotidiana. Em detrimento de dispositivos áudio, como a rádio, ou literários, como o jornal, dispositivos que fazem uso da imagem ocupam grande parte do nosso universo cultural.
Este avanço da imagem sobre a vida social, cultural e política desperta não só um fascínio, mas também uma desconfiança perante este mecanismo e o seu poder.
É neste campo que surge a análise de imagem. Procurando encontrar respostas sobre o modo como as imagens são percepcionadas, focando não só o sistema visual que nos dá acesso a elas, mas todo o dispositivo psicológico, cultural, social, político que molda esta nossa relação com o visual.