16 de nov. de 2009

Análise de imagem Aula 6a

M.C. Escher, Ar e Água I, xilogravura, 1938, 44 x 44 cm

Ao experimentar uma imagem o nosso cérebro reconhece ou escolhe a forma mais provável de entre outras configurações geométricas, denominando-se este processo de
Princípio da Maior Probabilidade.




Figura Coelho - Pato de Fliegende Blatter


A ambiguidade da forma apenas se torna difícil de interpretar ao apresentar características contraditórias, ou se a representação não for suficientemente informativa.
A selecção do objecto mais provável efectua-se segundo os mesmos processos da visão real, mas recorrendo além disso a um repertório de objectos simbolicamente representados no córtex visual, já conhecidos e reconhecidos.
Uma imagem produz ilusão quando o seu espectador descreve uma percepção que não está de acordo com certo atributo físico do estímulo, denominando-se a algumas dessas imagens como
ilusões elementares.
Neste tipo de ilusões atribuimos à imagem parametros da visão espacial e a três dimensões.


A noção de Forma surge aqui como relativamente abstracta, não tendo um equivalente directo com as características físicas nas quais se consegue materializar.
Por exemplo, uma forma pode mudar de tamanho, de lugar, modificar os elementos que a constituem e ainda assim, não se alterar como forma.
A Gestalttheorie formalizou mais claramente esta abordagem, definindo a forma como esquema de relações invariantes entre certos elementos.
Kurt Koffka (1886-1940), Wolfgang Köhler (1887-1967) e Max Werteimer (1880-1943), professores na Universidade de Frankfurt, foram protagonistas desta teoria, A Psicologia da Gestalt ou Psicologia da Boa Forma. Os seus estudos baseavam-se na percepção e na psicofísica, procurando compreender como se davam os fenómenos perceptivos sobretudo com relação a obras de arte.
A forma, do ponto vista da Teoria da Gestalt, apresenta duas características: as sensíveis, inerentes ao objecto, e as formais, que incluem as nossas impressões sobre a matéria, que está impregnada pelos nossos ideais e visões do mundo. A união destas sensações gera a percepção: o conjunto é mais que a soma dos seus elementos.

Uma das mais importantes ideias da Gestalt refere-se à percepção da forma através da relação Forma - Fundo: os elementos constituintes da forma organizam-se na nossa percepção, mas ao mesmo tempo dá-se sempre uma distinção do objecto em relação ao fundo.




As imagens estão numa situação de mediação entre o espectador e a realidade, pertencendo, no geral, ao domínio do simbólico.
Segundo Rudolf Arnheim (1969), a imagem poderá estabelecer três valores de relação com o real:
  • Um valor de representação: imagens que representam coisas concretas.
  • Um valor de símbolo: imagens que representam coisas abstractas
  • Um valor de signo: imagens que figuram um conteúdo cujas características não reflecte visualmente.
A grande maioria das imagens participa simultaneamente, em graus variáveis, dos três valores.



Podemos, não exaustivamente estabelecer três principais funções da imagem:

  • Simbólica: as imagens servirão primeiramente como símbolos, sobretudo no que toca à religião, onde se considera darem acesso à esfera do sagrado pela manifestação mais ou menos directa de uma presença divina. Esta função sobreviveu largamente à laicização das sociedades ocidentais, para vir a veicular novos valores (a Democracia, o Progresso, a Liberdade).

Eugène Delacroix, Liberdade Guiando o Povo, Óleo sobre tela, 1830, 260 x 325 cm, Museu do Louvre, Paris

  • Epistémica: A imagem traz informações (visuais) sobre o mundo, que nos dá a conhecer, sobretudo em certos aspectos não visuais.


  • Estética: implicará um sentido de prazer ao relacionar-se com o espectador. Este prazer refere-se a um sentido estético, que recorre a sensações (aisthésis) específicas. Aproxima-se da noção de gosto, amplamente discutida no estudo da estética.


Jock Sturges, Venus depois da escola, 1992




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