3 de nov. de 2009

Análise de imagem Aula 5ª

Tal R, Last Drawing Before Mars, vários media, 280 x 280cm, 2004


A percepção do movimento dá-se num processo que combina a percepção de objectos em movimento e a percepção do movimento do próprio corpo. Células específicas na percepção de movimento, ligadas à retina, percebem o estímulo em sucessão das células fotoreceptoras, interpretando esse sinal como movimento. Por outro lado, o nosso corpo, sobretudo através do sistema vestíbulo-ocular, como referido anteriormente, e pela distinção entre sinais aferentes e eferentes do cérebro, que separa a informação que vem dos orgãos sensório-motores para o cérebro e a informação enviada pelo cérebro para os órgãos. Deste modo acedemos à estabilidade visual.
Podemos distinguir a percepção do movimento real e a percepção do movimento aparente. Este último é de grande importância para a experiência da imagem em movimento, do cinema e da animação. Os efeitos ou fenómenos Phi, estão na base desta experiência.
A experiência visual que temos do mundo, como temos vindo a perceber através do estudo da percepção visual, não é indiferenciada de sujeito para sujeito, ao contrário, é subjectiva e individual. Isto leva-nos a ponderar sobre a existência, não apenas de um processo óptico que nos dá acesso ao mundo visual, mas uma construção desse mundo totalmente subjectiva.
Na percepção de imagens passamos da esfera do visual para a esfera do imaginário, passando do acto de ver para o olhar.

A nossa percepção do mundo físico exterior é selectiva, incompleta e frequentemente errónea.(...) as percepções de um observador diferem das de outro, mesmo quando ambos olham para as mesmas coisas sob as mesmas condições. (Pirenne,1970:10)

É importante o estudo do campo visual, como determinante para o processo de atenção visual que define o modo como cada espectador poderá aceder a vários elementos de uma imagem. O campo visual tem uma equivalência formal com a distribuição das células fotoreceptoras na retina; a região central, correspondente à fóvea, representa a visão central, onde temos acesso a maior definição, onde realmente vemos com definição ( se esticarmos o braço e tentarmos focar o nosso polegar, veremos que a única região realmente focada é a do dedo, estando o restante desfocado). As zonas paracentral periférica, em conjunto com a central, controem a visão de um certo campo visual. Na visualização de imagens o procedimento é o mesmo; a região vista com pormenor é a central.

O estudo da atenção visual na observação de imagens é da maior importância, já que nos ajuda a compreender que esta não se dá apenas num momento, mas numa sucessão de movimentos repetidos, que procuram abarcar toda a imagem, ou, sobretudo, os atractores de atenção, elementos percebidos fora da visão central que determinam a deslocação da visão central para esse elemento.

A experiência de uma imagem dá-se pela combinação de todos os movimentos, pela leitura combinada de todos os atractores de atenção e pela visão geral fornecida pela visão periférica.

Primeiro ajustamos a posição dos nossos olhos de modo a que as imagens do objecto recaiam sobre as duas fóveas; depois, mantemos essa posição durante um breve período, digamos meio segundo; depois os nossos olhos saltam para uma nova posição fixando-se num novo alvo cuja presença, algures no campo visual, se evidenciou quer por uma ligeira deslocação, quer por contraste com o fundo ou por apresentar uma forma interessante. (Hubel,1988:79)


A experiência das imagens é determinada pela Dupla Realidade Perceptiva das Imagens; ao observar uma imagem temos sempre presente a sua existência como objecto pertencente à realidade, mas que representa, na sua superfície, uma realidade a três dimensões. Esta leitura que fazemos do objecto permite-nos alterar o ponto de vista sem que vejamos aí uma deformação do que está representado.


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