Refere-se à actividade da moldura, a sua mobilidade potencial, o deslizamento interminável da janela à qual equivale. Faz referência, em toda a imagem representativa, a um olho genérico, um olhar anónimo de que a imagem é vestígio. Por uma deslocação de sentido natural, veio rapidamente designar certas posições particulares do quadro em relação à cena representada.
O cinema, enquanto imagem existente no tempo, está idealmente equipado para encarnar visivelmente a mobilidade, virtual ou real, do quadro.

Todo o enquadramento estabelece uma relação entre um olho fictício - o do pintor, da câmara, da máquina fotográfica - e um conjunto organizado de objectos em cena: nos termos de Arnheim, é uma questão de centramento / descentramento permanente, de criação de centros visuais, de equilíbrio entre diversos centros, sob alçada do centro absoluto. Através da ideia de pirâmide visual, a noção de enquadramento puxa o quadro para uma equivalência, proposta pelo dispositivo das imagens, entre olho do produtor e olho do espectador. É esta assimilação de um ao outro que inclui a noção de ponto de vista. O ponto de vista refere-se à encarnação de um olhar no enquadramento.
No século XX, sobretudo, o centramento na sua acepção máxima, foi muito vivido como abusivo e ideologicamente perigoso, caracterizando uma grande parte da História da Arte do século XX por uma vontade de fuga a esse centramento, deslocando-o ou subvertendo-o. Deriva da vontade de desviar o enquadramento da equivalência automática a um olhar. Em alguns casos de desenquadramento, dá-se uma acentuação dos limites da imagem, da sua moldura - limite, sublinhando o facto de que esta separa a imagem do fora - de - campo. O desenquadramento é como que um operador teórico, que realça implicitamente o valor discursivo da moldura. A Moldura é o que profere o quadro como discurso. (Louis Marin)
Ao exibir o quadro como lugar e instrumento da relação entre a imagem e o seu espectador, o desenquadramento trabalha o dispositivo. Por isso foi primeiramente definido como uma operação ideológica, pouco natural. ( Aumont; 2005; pág. 116.)
Dimensão temporal do dispositivo
O aspecto temporal do dispositivo é o encontro entre duas determinações; o tempo do espectador, e o tempo da imagem.
Pequena tipologia temporal das imagens (Aumont; 2005; pág. 117):
Podemos considerar, no que diz respeito à sua qualidade temporal, duas grandes categorias de imagens:
As imagens apresentam uma relação infinitamente variável com o tempo. A dimensão temporal do dispositivo é o relacionamento dessa imagem com um sujeito espectador também ele existente no tempo.
A imagem fixa, por exemplo, ocasiona uma exploração ocular, que manifesta a existência inevitável de um tempo de percepção e de apresentação da imagem. O essencial é não confundir o tempo da imagem e o tempo do espectador. Se perante uma fotografia somos livres de a olhar por três segundos ou três horas, perante a imagem em movimento, como no caso do cinema comum, podemos aceder à imagem fílmica apenas durante o tempo da projecção. Além disso, perante uma e outra dessas imagens, o espectador poderá dirigir a sua atenção variavelmente no tempo, consoante as suas expectativas e desejos
No século XX, sobretudo, o centramento na sua acepção máxima, foi muito vivido como abusivo e ideologicamente perigoso, caracterizando uma grande parte da História da Arte do século XX por uma vontade de fuga a esse centramento, deslocando-o ou subvertendo-o. Deriva da vontade de desviar o enquadramento da equivalência automática a um olhar. Em alguns casos de desenquadramento, dá-se uma acentuação dos limites da imagem, da sua moldura - limite, sublinhando o facto de que esta separa a imagem do fora - de - campo. O desenquadramento é como que um operador teórico, que realça implicitamente o valor discursivo da moldura. A Moldura é o que profere o quadro como discurso. (Louis Marin)
Ao exibir o quadro como lugar e instrumento da relação entre a imagem e o seu espectador, o desenquadramento trabalha o dispositivo. Por isso foi primeiramente definido como uma operação ideológica, pouco natural. ( Aumont; 2005; pág. 116.)
Dimensão temporal do dispositivo
O aspecto temporal do dispositivo é o encontro entre duas determinações; o tempo do espectador, e o tempo da imagem.
Pequena tipologia temporal das imagens (Aumont; 2005; pág. 117):
Podemos considerar, no que diz respeito à sua qualidade temporal, duas grandes categorias de imagens:
- Imagens não temporalizadas; que existem sem se alterarem no tempo; como a Pintura ou a Fotografia.
- Imagens temporalizadas; que se modificam no decurso do tempo sem intervenção do espectador; sendo os seus corolários a imagem videográfica e cinemática.
- Imagem fixa | imagem móvel; se é fácil definir a imagem fixa, a imagem móvel pode tomar muitas formas. A atribuição de qualidades temporais a uma imagem que consideramos fixa tem sido campo de pesquisa de múltiplos artistas visuais contemporâneos.
- Imagem única | imagem múltipla: unidade e multiplicidade definem-se espacialmente, mas não sem incidências na relação temporal do espectador com a imagem.
- Imagem autónoma | imagem em sequência: aproximando-se do parâmetro anterior, refere-se à apresentação de uma série de imagens do mesmo campo semântico, pela sua significação, alterando a relação temporal com as imagens, em relação à sua apresentação individual.
As imagens apresentam uma relação infinitamente variável com o tempo. A dimensão temporal do dispositivo é o relacionamento dessa imagem com um sujeito espectador também ele existente no tempo.
A imagem fixa, por exemplo, ocasiona uma exploração ocular, que manifesta a existência inevitável de um tempo de percepção e de apresentação da imagem. O essencial é não confundir o tempo da imagem e o tempo do espectador. Se perante uma fotografia somos livres de a olhar por três segundos ou três horas, perante a imagem em movimento, como no caso do cinema comum, podemos aceder à imagem fílmica apenas durante o tempo da projecção. Além disso, perante uma e outra dessas imagens, o espectador poderá dirigir a sua atenção variavelmente no tempo, consoante as suas expectativas e desejos
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